Por Leonard Sousa*

4 Dicas para uma áudio-descrição teatral com qualidade

Publicado quarta-feira, dezembro 13, 2017

Fotografia de um óculos escuro e um fone de ouvido pretos. 

Temos notado que, gradativamente, tem crescido a oferta da  áudio-descrição nas peças de teatro pelo país. Entretanto, por desconhecimento de como funciona o recurso, os produtores acabam cometendo diversos erros após a contratação deste serviço. Por esta razão listamos abaixo 4 orientações para que a áudio-descrição seja oferecida de modo satisfatório para os envolvidos (profissionais e usuários):

Ponto número 1: O estudo prévio da peça

A essa altura você já sabe que os recursos de acessibilidade são aplicados após os materiais estarem finalizados; mas isso não significa dizer que os profissionais só devam ser contratados 2 ou 3 dias antes da exibição do espetáculo. Isso, além de ser um erro gravíssimo, é uma falta de respeito tanto com os usuários quanto com os profissionais que vão prestar o serviço.

Venhamos e convenhamos, você  quer tornar seu evento acessível ou apenas cumprir a lei?

Para se fazer áudio-descrição, seja qual for o  contexto, é imprescindível que seja realizado um estudo prévio de onde a AD será aplicada. Isto pode ser feito por meio da participação nos ensaios; com isso conheceremos qual o contexto do espetáculo, o figurino que será utilizado, os objetos que compõem o cenário e o texto da peça. Essa etapa é essencial para a elaboração do roteiro e realização da consultoria. Quanto mais detalhes referentes à peça forem fornecidos para a equipe da áudio-descrição maior será a qualidade da prestação do serviço.

Ponto número 2: Divulgação dos recursos de acessibilidade na exibição da peça

Quando uma determinada peça chega à cidade, o que é feito para que as pessoas tomem conhecimento da mesma?

Se você pensou em divulgação, acertou! Sim, são feitos vários anúncios da peça que estará em cartaz antecipadamente, nos diversos meios de comunicação: Televisão, Jornais, redes sociais, blogs, dentre outros. Naturalmente você deve estar se perguntando: “E o que a áudio-descrição tem a ver com isso?” Tudo!

Como é que você, produtor(a), quer que haja usuários deste recurso em sua peça, se a pessoa nem mesmo sabe que esta disponibilizará o recurso? Parece óbvio o raciocínio acima exposto, mas acredite, isso não é feito!

Os usuários que utilizam os recursos de acessibilidade – em geral – não têm direito a se programar como os demais. Muitas vezes só ficamos sabendo 1 ou 2 dias antes do espetáculo. Isso quando ficamos sabendo porque na maioria das vezes a informação sequer chega até nós. Portanto, ao realizar seus anúncios publicitários, sugerimos inserir a informação da oferta dos recursos de acessibilidade, explicitando os seguintes pontos:

➔ Quais serão os recursos oferecidos;

➔ Em quantas exibições os recursos estarão disponíveis

Fácil, não é mesmo? É simples assim.

Ponto número 3: O espaço de trabalho da áudio-descrição;

A AD começa a ser produzida muito antes do início da exibição do espetáculo. Mas sua execução nos teatros, na maioria dos casos, é feita a partir de uma cabine que deve ser posicionada estrategicamente em um local de visão privilegiada, de modo que o(a) narrador(a) consiga ver claramente as ações que ocorrem na peça.

O ideal é que a cabine fique em posição frontal ao palco e com boa iluminação, de modo que seja garantida visibilidade de todo o cenário. Essa cabine serve ainda de isolamento acústico para que os sons produzidos pela peça (e pelos espectadores) não interfiram na narração da áudio-descrição.

Dessa forma, as pessoas com deficiência que utilizarem o serviço terão livre escolha para sentar em qualquer lugar na plateia e, ainda assim, ter acesso às informações  do espetáculo por meio de um equipamento de tradução simultânea, através de fones de ouvido.

Reforçamos: é indispensável que o profissional que vai narrar a peça possa ter uma boa visibilidade do palco. Assim ele(a) será capaz de realizar seu trabalho com mais qualidade.

Ponto número 4: Oferecer condições adequadas para a execução do serviço

Neste item a dica é: não permita – em hipótese alguma – que haja qualquer tipo de obstáculo em frente a cabine, tais como: pessoas (da equipe ou espectadores) ou o trânsito destas, objetos e qualquer tipo de equipamentos. Do contrário, certamente a visibilidade do narrador será comprometida e este não conseguirá repassar as informações do espetáculo, prejudicando seriamente a prestação do serviço.

Por esta razão é extremamente importante que haja uma boa comunicação e alinhamento entre a coordenação da peça e a equipe de acessibilidade, no sentido de buscar que as questões acima sejam resolvidas sem que os usuários presentes sejam prejudicados.

E então… você considerou úteis as dicas acima? A gente gostaria muito do seu feedback. Você pode entrar em contato através do nosso e-mail (entrelinhasca@gmail.com) ou pelas redes sociais: fb.com/entrelinhasca e instagram.com/entrelinhasca.

Até a próxima!

*É diretor da Entrelinhas Comunicação Acessível