Por Gabriela Oliveira

A força da juventude vem das RUAS

Publicado sexta-feira, novembro 17, 2017

“Organize a sua entidade como uma empresa. Tenha em mente que você tem um produto e que ele deve ser vendido como se vende qualquer outro”.

Antônio de Pádua – Coordenador da Rede Urbana de Associações Socioculturais (RUAS)

DF Street movimenta cerca de 2 mil jovens a cada edição ocupando o espaço público das periferias

A juventude brasileira é a parcela da população que mais morre atualmente, principalmente se for masculina, negra e de baixa escolaridade. Segundo pesquisa do Atlas da Violência 2017, lançado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que estudou as taxas de violência brasileira entre 2005 e 2015, cerca de 60 mil homicídios aconteceram em 2015 no Brasil. Desse número, 47,8% dos óbitos são de jovens homens com idade entre 15 e 29 anos.

Ainda segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS,) é a violência interpessoal – assassinatos, agressões, bullying, violência entre parceiros sexuais e abuso emocional – a principal causa dessas centenas de perdas que o Brasil tem todos os anos. Mas o que se pode fazer para reverter essa situação, já que o governo não consegue, até hoje, instalar uma política para acabar com essa chacina? O caminho está apontado por uma instituição sediada em Brasília – é preciso dar oportunidades e educação aos jovens e olhar para essas pessoas como seres potenciais e não como uma parcela invisível. E essa é a missão da Rede Urbana de Ações Socioculturais (RUAS).

A RUAS busca mudança social na área das periferias do Distrito Federal por meio da ocupação do espaço público para o desenvolvimento de atividades socioculturais. Antes conhecido como Educação em Foco, o grupo que coordena o RUAS há 4 anos traz para a população jovem do DF, principalmente da Ceilândia, projetos que oferecem possibilidades e subsídios para que ela possa se expressar, saber seus direitos e, principalmente, ter o empoderamento necessário para desenvolver todo seu potencial. Para nossa seção Histórias que deram Certo, trazemos a trajetória dessa organização, os desafios e obstáculos que tiveram e tem para transformar em realidade projetos que vêm mudando a vida de parte da juventude brasiliense.

OCUPAÇÃO DO ESPAÇO PÚBLICOEsse é o principal pilar das atividades da RUAS. A ocupação é uma das saídas encontradas pela Rede para driblar a falta de espaços culturais e esportivos tão importantes em regiões de risco como periferias. A ideia é criar maneiras de ocupar esses espaços de forma saudável para que os jovens possam desenvolver seu potencial através de atividades esportivas e culturais que estimulam o empreendedorismo, o desenvolvimento, a educação, a convivência saudável, a liberdade, o equilíbrio e a justiça social.

Ao longo desses quatro anos de dedicação, a Rede realizou oito projetos que se desenvolveram em quase todas as periferias do Distrito Federal, como explica Antônio de Pádua, Coordenador-geral da RUAS:

Espaço aberto para eventos e atividades da RUAS

“Hoje concentramos nossas ações na Ceilândia – que é a maior periferia do DF com mais de 450 mil habitantes. Mas já realizamos projetos em cidades como Itapoã, Estrutural, Arapongas, Sobradinho, Taguatinga, etc. Quase todas as periferias do DF. No entanto o nosso maior projeto de formação de jovens para o mercado da cultura, que oferta oficinas de teatro, dança, audiovisual, fotografia e DJ – O Programa Jovem de Expressão do Instituto Caixa Seguradora – funciona na Ceilândia. Atendemos em média 300 jovens por ano no programa em atendimento direto”.

Além do Programa Jovem de Expressão, existem outros sete projetos idealizados pela equipe da Rede: Basquete de RUA, LECria – Laboratório de Empreendimentos Criativos, Cine Periferia Criativa, Elemento em Movimento, Voz Ativa, DF Street e Ação Periferia. Todos eles com foco no empoderamento e no desenvolvimento do potencial dos jovens das periferias do DF.

Um dos maiores problemas para se colocar todos esses projetos em atividade é o apoio e patrocínio. Alguns desses projetos tiveram que ser interrompidos por perda de patrocínio, principalmente nos tempos de crise, como explica Antônio:

“A maior dificuldade é de captar recursos para manter atividades simultâneas. Temos capacidade administrativa para tocar todos esses oito projetos, mas alguns não são realizados ou perdem a continuidade por saída de parceiros, principalmente em momentos de crise.”

CAPTAÇÃO E APOIOA busca de recursos para fazer acontecer e dar continuidade aos projetos é um dos principais desafios para quem está no 3º Setor. No início, a maior dificuldade é provar que há capacidade de colocar em prática as atividades propostas, mas falta portfólio. Por isso, uma das saídas para a RUAS foi pedir apoio a possíveis parceiros locais, como pequeno comércio, profissionais liberais e administração pública. As propostas eram feitas com base na troca de serviços ou produtos: o apoiador oferece seus serviços em troca de propaganda. À medida que as atividades foram ganhando visibilidade, a Rede conseguiu criar portfólio para bater em portas maiores.

“Nosso plano é construir o maior Centro Cultural voltado para jovens de periferia do Distrito Federal na Ceilândia”.

A RUAS não possui uma equipe destinada à captação. Todos podem sugerir parcerias desde que estejam alinhadas às políticas, metas e ações da organização. Outro recurso, mais burocrático, porém também obtido como uma opção de captação, é a inscrição de projetos via leis de incentivo.  Ouça o que Antônio de Pádua comenta sobre leis de incentivo e porque a Lei Rouanet é o meio preferido da RUAS para incentivo dos projetos:

FUTURO É CRESCER E quando se trata de futuro, eles não pensam em parar. Antônio conta que o principal projeto para os tempos que virão é criar um centro cultural que assista mais jovens que a capacidade física da organização tem hoje, e para isso está em busca de parceiros que embarquem também nesse sonho:

“Nosso plano é construir o maior Centro Cultural voltado para jovens de periferia do Distrito Federal na Ceilândia. O espaço onde ocupamos hoje já não comporta as atividades e o fluxo de jovens, além de reduzir nossa capacidade de atendimento. Nesse espaço queremos mostrar toda capacidade criativa dos jovens das periferias do DF. Aproveitando a oportunidade estamos abertos a apresentar a proposta a possíveis apoiadores.”

 

 

 

 

 

SERVIÇO Conheça os projetos da RUAS através do site: http://ruas.org.br/index.html

Entre em contato com a RUAS: ruas.urbana.df@gmail.com  ou  ruas.rede@gmail.com

Quer escutar a dica do Antônio de Pádua, Coordenador da RUAS, para desenvolver bem um projeto sociocultural? Acessando nosso conteúdo premium você vai conhecer a entrevista completa, com respostas sobre captação de recursos e seu conselhos para aqueles que estão no ramo do 3º Setor.

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