Por Priscila Xavier, Entrelinhas Comunicação Acessível

As 5 Etapas Para Inserir A Áudio-descrição Em Um Filme (A 2ª É Indispensável!)

Publicado sexta-feira, novembro 24, 2017

Qual é o processo para se fazer a áudio-descrição (AD) de um filme? Você sabe? É só assistir ao longa e “narrar” todas as cenas? Quais são os profissionais envolvidos? Precisa de consultoria? Para quê?

O texto de hoje trata dessas e mais algumas questões. Vem com a gente!

Descrição da imagem: Fotografia colorida e retangular. Uma pessoa, com roupa de manga comprida, escreve em um papel à mesa. Na mesa há também um caderno e uma xícara mais distante. | Foto: Green Chameleon

Antes de mais nada é preciso informar que: para adicionar qualquer recurso de acessibilidade comunicacional em um filme é necessário que a obra esteja finalizada. Caso o material sofra alguma alteração depois de a áudio-descrição, legenda ou Libras ter sido produzida a qualidade do trabalho será comprometida, uma vez que estes recursos são feitos utilizando como base as marcações de timecode.

Vamos às etapas!

Etapa 1: O roteiro

A primeira parte do trabalho começa com o áudio-descritor (ou áudio-descritora, no meu caso J). Este profissional assistirá ao longa e dará início à escrita de um roteiro. O ideal é que o áudio-descritor assista ao filme por completo, estude sobre a obra e, posteriormente, comece o processo de roteirizar.

O roteiro pode ser feito em um documento do word ou usando um programa como o Subtitle Workshop, onde é possível salvar automaticamente um arquivo com as marcações de tempo e o texto.

Para escrever um roteiro de áudio-descrição o profissional precisa pausar as cenas onde é possível inserir o recurso tradutório e a partir daí usar frases curtas e fieis ao que se vê na tela. Um exemplo de onde a AD pode ser inserida: sabe aquelas cenas onde há ação e trilha sonora apenas, sem fala dos personagens? Pois é. Para uma pessoa cega pode ser difícil compreender a totalidade de uma cena como essa sem a áudio-descrição.

Depois de escrever a primeira versão do roteiro usando as diretrizes para uma boa áudio-descrição (as quais iremos abordar em outro texto) passamos para a segunda parte do processo.

Etapa 2: A consultoria

Nesta etapa o roteiro escrito é compartilhado com o consultor em áudio-descrição. Este consultor necessariamente precisa ser uma pessoa cega ou com baixa visão que tenha curso de formação em AD.

Assim que o roteiro chega às mãos do consultor (ou à tela do PC) tem início o trabalho de revisão daquele roteiro. Neste momento o consultor verifica se as diretrizes foram seguidas e se as frases estão claras, concisas, coerentes, específicas e vívidas.

Em seguida o consultor envia o roteiro com observações e possíveis dúvidas para o áudio-descritor. A partir daí os profissionais trabalham juntos em uma nova versão do roteiro. Chegando a um consenso, passa-se para a etapa seguinte.

E por que afirmamos que a presença do consultor é indispensável no processo de áudio-descrição? Porque essa pessoa é a parte mais interessada em uma tradução visual de qualidade. Ela é a usuária final do recurso, é quem mais se beneficiará do trabalho bem feito.

É um risco enorme produzir qualquer áudio-descrição sem contar com a revisão de um consultor. Fazer uma AD sem revisão adequada pode levar o áudio-descritor a cometer erros que poderiam ser evitados com uma simples consulta a um profissional competente.

Etapa 3: A gravação

A terceira etapa consiste em locucionar o texto já revisado. Aqui é preciso um cuidado especial na escolha do(a) locutor(a) pois a locução para áudio-descrição não pode ser igual a uma narração de futebol ou uma locução publicitária, por exemplo.

Falaremos mais desta questão específica em um próximo texto.

Também é válido reforçar que é indispensável contar com o suporte de um bom estúdio a fim de proporcionar uma captação de áudio profissional

Etapa 4: A finalização

Descrição da imagem: Fotografia colorida e retangular. Um iMac com teclado e mouse sobre uma mesa. No monitor há um programa de edição de vídeo, onde tem duas pequenas telas com imagens coloridas no topo e abaixo faixas de áudios coloridas. | Foto: Jakob Owens

Depois de assistir ao filme, escrever o roteiro, revisá-lo e levar a estúdio para gravar a locução chegou a hora de editar e inserir a áudio-descrição gravada no filme.

Esse processo pode ser feito pelas próprias produtoras do filme ou pela empresa que fornece o serviço de acessibilidade comunicacional. Caso a edição seja feita por um profissional de edição que não conhece a AD é necessária uma atenção redobrada para que os marcos temporais sejam respeitados e que o trabalho de acessibilidade da obra não perca a qualidade.

Finalizada a inserção da AD no filme é chegada a hora de preparar a exibição.

Etapa 5: A exibição

Aqui há duas opções.

Primeira: a áudio-descrição pode ser inserida como uma faixa de áudio adicional ao filme e ficar disponível no DVD da obra, o que permite ao usuário a opção de ativar e desativar o recurso através do menu.

Segunda: A AD também pode ser feita ao vivo em mostras de cinema, festivais, exibições públicas e ficar disponível para o espectador apenas no momento específico da exibição.

No caso de ser feita ao vivo a etapa da gravação pode ser dispensada.

E aí, ficou mais claro para você todo esse processo de produzir a áudio-descrição de um filme? É um passo a passo importante para deixar produtores, diretores e demais envolvidos na produção de um filme cientes do trabalho envolvido a fim de levar uma produção acessível com qualidade para o espectador com deficiência visual.

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