Por Gabriela Oliveira

Funcionários sustentam maior projeto de endomarketing do País

Publicado terça-feira, outubro 24, 2017

Existem muitas possibilidades de transformar nossas ações em reações e multiplicá-las até chegar a algo inovador. Todos podemos participar da mudança – basta um pontapé inicial. Foi o que aconteceu, e ainda acontece, com o Eu Faço Cultura, programa mantido pelos associados da FENAE (Federação Nacional das Associações de Empregados da CAIXA) por meio da doação de parte do Imposto de Renda abatido de seus salários, como permite a lei Rouanet, e que se transformou em uma das experiências mais exitosas na área do endomarketing¹ Com onze anos de estrada, o projeto remodela-se sempre em busca da democratização da cultura no país, levando esse direito às pessoas que possuem obstáculos, seja financeiro, social, local, para acessar algum tipo de produto cultural.

Crianças recebem livros do Biblioteca Renovada, um dos projetos do Eu Faço Cultura (Créditos: divulgação)

O sucesso pode ser atestado com números. Nesse período, o programa atendeu 280 produtores, 339 ONGs e 381 escolas públicas. Ao todo, 135 cidades receberam o apoio, que contabilizou mais de 154 mil produtos distribuídos. Desde 2007 passaram pela vitrine 842 espetáculos de teatro e dança e 48 bibliotecas foram entregues. A última captação arrecadou R$ 5.777.004,80 em dois anos. É o projeto que mais arrecada de Pessoas Físicas via lei Rouanet.

Para entender melhor a trajetória do projeto e as diferentes caras e barreiras enfrentadas ao longo desses anos, fomos ouvir o diretor sociocultural da FENAE, Moacir Carneiro. Acompanhe mais essa história dentro da série Histórias que deram Certo, contada pelo próprio responsável por ela.

PRINCÍPIO A ideia inicial surgiu da Federação Nacional das Associações de Empregados da CAIXA (FENAE) buscando aproveitar o potencial dos funcionários para apoiar projetos que desenvolvam a cultura e levem seu acesso às pessoas que não têm oportunidades de frequentar um ambiente cultural. Hoje existem 27 associações dos funcionários da CAIXA, uma em cada Federação brasileira, totalizando em torno de 50 mil associados. O apoio é feito via declaração de IRPF (Imposto de Renda Pessoa Física), permitindo o abatimento de 6% do seu imposto devido que todo brasileiro pode destinar a projetos culturais². Além dessas doações, a FENAE conta com apoio de empresas privadas como a CAIXA Seguradora, CAIXA Crescer e WIZ Corretora.

Em 2006, o Eu Faço Cultura surgiu no formato de estimulador na produção de espetáculos e concertos de MPB. Quatro anos depois, obteve seu auge: das 18.000 pessoas físicas que destinaram os 6% do seu IR, 14.000 eram funcionários da CAIXA, ou seja, sua grande maioria. Na época, era permitido que o projeto juntasse dois artigos da lei Rouanet: produção de oficinas e produção de shows de MPB. Como explica Moacir:

“Naquela época era permitido que juntássemos dois artigos da lei Rouanet. Então a gente fazia oficinas culturais como oficinas de percussão, instrumentos musicais, e depois combinava com um show de MPB onde essas pessoas se apresentavam na abertura do show. Então a gente juntava o artigo que tratava de MPB com o artigo que tratava de música instrumental. Em 2013, o MinC não permitiu mais que houvesse a condição de incentivo nos dois artigos e então fizemos um experimento de dois anos…uma Rua Cultural”.

Beneficiários são escolas públicas, microempreendedores, pessoas com necessidades especiais, beneficiários de programas do governo, instituições beneficentes e idosos.

A Rua Cultural ficou dois anos rodando o Brasil oferecendo seis oficinas: dança, circo, percussão, fotografia, artes plásticas e brincadeiras lúdicas. Esse formato atendia aos beneficiários do projeto, porém não mostrava uma força de incentivo para as doações por parte dos associados. Os beneficiários do Eu Faço Cultura são escolas públicas, microempreendedores (MEI), pessoas com necessidades especiais, beneficiários de programas do governo, instituições beneficentes e idosos. Os porta-vozes do projeto resolveram, então, tentar um outro formato, este que está implantado desde 2014 e que segue até os dias de hoje: a plataforma digital.

Ouça Moacir explicando como nasceu a ideia


COMO FUNCIONA
No ar desde 2015, a nova plataforma possui uma vitrine de produtos onde o beneficiário pode escolher aquele que tem interesse. A ideia foi de poder conscientizar os funcionários da CAIXA – que contribuem para que o projeto aconteça – de que o fomento à cultura é feito através de dois pilares relevantes: produtor e público. Se trata de tornar viável a produção de espetáculos e levar esse produto também às cidades onde esses produtores não têm possibilidade financeira para alcançar, fazendo com que projetos vejam a luz do dia e que mais e mais pessoas tenham acesso a experiências culturais.

Moacir Carneiro com crianças do projeto que mais arrecada verba de Pessoas Físicas (Créditos: divulgação)

A inscrição do produto na plataforma é bem simples, tudo online. Basta se cadastrar, enviar os documentos e descrever o seu projeto; no site eles dão dicas de como deixar o produto mais atrativo. Após essa etapa, o projeto será avdo e até cinco dias úteis, no máximo, haverá um retorno. Aprovado, haverá uma fase de negociação do valor e da quantidade de ingressos a serem vendidos. Chegando a um acordo, o Eu Faço Cultura libera a fatura, o pagamento é feito em até 10 dias, depois do recebimento do recibo físico, e o produto já vai para a vitrine da plataforma, à disposição dos beneficiários.

ENDOMARKETINGO Eu Faço Cultura, idealizado e desenvolvido pela FENAE, já conseguiu, nesses onze anos de atividades e persistência, arrecadar cerca de 31 milhões de reais, alcançando mais de 600 mil pessoas diretamente impactadas. O projeto está presente em todas as regiões do país, e já levou cultura a mais de 130 cidades brasileiras. Mas como o projeto consegue se superar, cada vez mais, e ter essa trajetória tão inspiradora? Explica Moacir:

“Podemos dizer que a base do projeto existir é a conscientização dos funcionários da CAIXA. São as ações comunicacionais internas que resultam no sucesso do Eu Faço Cultura. Há uma dedicação e importância na criação de ações de marketing para levar aos funcionários o conhecimento de que juntos, podem fazer algo grandioso muito além da rotina de trabalho”.

Sobre essa questão, Moacir é direto e enfatiza a importância de haver empenho nas ações de divulgação.

Assinante de nossos Portais tem acesso à matéria completa do Eu Faço Cultura, onde se explica como é feita a divulgação, as dificuldades inevitáveis, a participação dos funcionários e como esse modelo pode ser replicado por outras empresas, além de gravação onde se pode ouvir o próprio responsável explicando o projeto.

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Histórias que deram certo nos inspiram através de experiências que começaram pequenas e hoje são um sucesso na área cultural. Conheça também a história da EDISCA, uma escola de dança de Fortaleza que atende a crianças carentes da região periférica da cidade, formando jovens para a arte e para a vida. Confira: link da página da matéria da EDISCA.