Por Naudielle Silva

Marketing Cultural é sinestesia

Publicado segunda-feira, outubro 23, 2017

Jornalista, comunicóloga e amante das boas histórias, a baiana Naudielle Silva participou e venceu com esse artigo a promoção, feita com nossos seguidores no Facebook, sobre o tema O que é Marketing Cultural para mim?. O ganhador teria seu trabalho publicado no lançamento do portal e Naudielle abordou o aspecto da emoção, o que toda empresa deveria aspirar com seu patrocínio. E levou o prêmio.


Você já se emocionou durante um show e se arrepiou até o último fio de cabelo? Isso é sinestesia. É quando nosso corpo responde a um estímulo e ocorre uma combinação de sensações numa só impressão. Isso também é marketing cultural. É fazer com que um público responda a um estímulo e associe a sensação a uma mensagem.

Digo isso, pois quando eu tinha 17 anos e morava numa cidade com menos de 30 mil habitantes, subi sozinha os degraus de acesso ao principal clube da minha cidade para ver pela primeira vez um show do cantor Geraldo Azevedo.

Quando ele iniciou os primeiros acordes de “Dia Branco” no violão eu me arrepiei da cabeça aos pés e tive certeza que queria sentir aquilo muitas outras vezes. Até hoje me lembro da sensação, de detalhes e nunca esqueci o nome da empresa de cosméticos que me proporcionou esse show, longe dos grandes centros, dos grandes palcos e quase de graça.

A empresa buscava promover a cultura e ampliar a visão positiva sobre a marca, mas conseguiu mais que isso. Influenciou de forma positiva e emocional a vida de diversas pessoas, inclusive a minha.

Essa simples história ilustra o poder e a essência do marketing cultural, da comunicação criativa e sutil que atinge pessoas com mensagens profundas. Depois da experiência no show de Geraldo Azevedo, eu estudei Comunicação, me tornei jornalista e assessora de imprensa, mas procuro sempre lembrar da minha visão enquanto público.

É claro que o marketing cultural é um conjunto de ações, mas muito além do pensamento fechado de algumas pessoas de que ele é apenas uma estratégia que transforma a cultura em mercadoria, penso que na verdade ele a torna um veículo.

Um veículo de comunicação para transmitir mensagens a grupos específicos e que usa a diversificação para difundir ideias, despertar emoções e associá-las a determinada empresa. Assim pensam diversos teóricos estudados nos cursos de produção e gestão cultural.

Dessa maneira, o marketing cultural amplia laços entre empresa e público, melhora o relacionamento, constrói imagem e reputação, humaniza a identidade social e demonstra os valores da empresa. Ele diferencia-se da assessoria de comunicação, do jornalismo cultural e da publicidade e propaganda, mas pode envolver todos eles.

Em outro nível o marketing cultural é também uma estratégia do produtor para tornar conhecido o produto cultural e garantir seu reconhecimento. Pode ainda ser a parceria necessária com o governo, grandes empresas ou pequenos empresários para que um projeto cultural saia do papel.

Sendo assim, o marketing cultural é ainda apoio à cultura e meio para captação de recursos oferecendo em contrapartida a visibilidade que o patrocinador espera. Para que todo esse processo surta efeito e arrepie o público certo é preciso que produtores culturais e patrocinadores descubram o que toca seu público.

O que encontra conexão com as experiências mais profundas do público? Responder essa questão é o desafio e fixa-se na linha tênue entre errar e acertar o alvo da mensagem, mas esse é assunto para novas linhas e novos estudos. Sigamos!

* Vencedora da promoção O que é Marketing Cultural para mim?, realizada por esse portal junto aos seus seguidores no Facebook. É pós-graduanda em Gestão Cultural pela Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), graduada em Comunicação Social com habilitação em Rádio e Televisão, também pela Uesc. Jornalista, comunicóloga, ama contar boas histórias, engajar e motivar pessoas. Baiana, é apaixonada por livros, música, fotografia e autoconhecimento.