Por Eduardo Martins

Pronto. Consegui!

Publicado segunda-feira, outubro 23, 2017

Editor-Chefe do portal Marketing Cultural e Portal de Patrocinadores e Editor Geral de Conteúdo do projeto Valor Cultural


Quando achar que tudo está perdido, olhe para a frente.

Não sei bem quem cunhou essa frase – pode ter sido um monge shaolin, um discípulo de Sócrates, sei lá, mas estou desconfiando que fui eu mesmo porque resiliência talvez seja minha melhor qualidade, entre tantos defeitos. Esses canais que vocês estão podendo conhecer agora – Marketing Cultural e Portal de Patrocinadores – foram construídos sobre pedras, quedas, recomeços, nãos de vários tamanhos e matizes, acertos, equívocos, e só foram possíveis porque fui criado no mundo mágico da Serra do Luar, e lá ter conhecido o tratamento especial da Curadoria, que na porta ostenta a placa: “Alguém espera harmonia quando você chega. Você trouxe”? Seu método elimina o que é de eliminar para a pessoa ficar sadia. E por seus dutos saem males assim:

Despeitos retorcendo-se
Desprezos arrotando
Melancolias engolindo-se
Calúnias sorrindo, escondidas
Caprichos batendo o pé
Ideias fixas, de olhos fechados, surdas-mudas
Vaidades vazias estalando como vidros
Maldades contraindo os lábios
Impaciências gritando que não aguentam mais
Remorsos repelindo ajuda
Ambições ofegantes pedindo descanso
Um amor próprio mordendo a própria dor
Pessimismos derrotando-se antes de sair
Preconceitos agarrados a desculpas frouxas

Ao final do tratamento, as pessoas saem despojadas de sentimentos tortuosos e preparadas para enfrentar dificuldade com paciência vegetal. Estive lá, a conheci por dentro, e presenciei exemplos desse Universo fantástico. A Curadoria me deixou pronto para, a despeito de qualquer adversidade, criar Valor Cultural. Duas partes, pelo menos. Falta ainda a terceira, onde todos poderão contribuir para construir e beneficiar a si e aos outros.

REPOSICIONAMENTO – Os produtos Marketing Cultural e Portal de Patrocinadores estão sendo lançados exatamente 20 anos após a criação da mãe de todos – a revista Marketing Cultural. Ela foi a precursora, em grande parte, do que está acontecendo agora no campo do marketing cultural e patrocínio.

A revista foi um marco no ambiente de nossa cultura, ao deixar sua impressão digital como pioneiro e único veículo brasileiro exclusivamente dedicado a abordar os aspectos relevantes dessa ferramenta de sedução. Por influência de suas páginas, milhares de pessoas ingressaram nesse ambiente de trabalho e levou a produtores e gestores culturais, gerentes e diretores de marketing, estudantes e professores de comunicação, entre tantos outros, informações que fortaleceram o conhecimento sobre um mercado que já é dezenas de vezes maior do que na época em que foi lançada.

Software para cadastramento de projetos, cursos específicos, classificados do setor, canais de atendimento, leis decifradas, orientação para empresas compreenderem melhor as leis…. foram muitas contribuições inéditas que apontaram um norte para o mercado da cultura seguir, e são replicadas até hoje, inclusive nos erros conceituais que cometemos.

A arte da sedução é antiga e, biblicamente, pode-se remontar aos tempos de Adão e Eva. E os conceitos de marketing foram desenvolvidos para provar que oferta, procura e preço não eram os únicos fatores que influenciavam a compra ou a venda. Porém, a magia do marketing cultural está no mix entre ciência e sedução, que vai gerar valor, e a percepção desse valor será o melhor legado que a empresa poderá receber de seus clientes porque eles preferem comprar de quem simpatizam.

Mas, 20 anos depois do lançamento da revista, se me perguntarem se as empresas brasileiras aprenderam a utilizar esse poder com eficiência, vou dizer que não (e exceções são o que são: exceções). Essa conclusão não advém de uma opinião, um palpite, um vago olhar sobre o mercado – é fruto de um acompanhamento persistente sobre o comportamento que elas demonstraram ao longo da última década. E esse comportamento demonstrou que elas não conhecem direito a essência do marketing cultural, e nem estão muito interessadas nisso, mas sabem muito bem o que é lei de incentivo.

Cultura é um bom negócio! Nós entramos nessa conversa, ajudamos a difundi-la e hoje está claro que foi um erro. Por que há 20 anos ninguém sabia direito que ferramenta era essa, qual poderia ser sua amplitude, qual a melhor forma de utiliza-la, linkamos marketing cultural com lei de incentivo e, com isso, ajudamos a criar essa falsa dicotomia entre patrocínio e renúncia fiscal. E a política cultural de nosso País se resumiu a isso.

Há 20 anos ninguém sabia direito que ferramenta era essa, qual poderia ser sua amplitude, qual a melhor forma de utiliza-la.

Se na economia formal os incentivos fiscais, quase sempre, contribuem para baixa produtividade ao distorcer a competição entre empresas, na cultura vive-se fenômeno parecido. Se o projeto tiver incentivo fiscal, apoia; se não tiver, não apoia. Poucas tem uma Política de Patrocínio e a maioria nem se importa em dizer o que está fazendo com a renúncia dos impostos de que se beneficia. É muito mais fácil encontrar informações sobre o que investem nas áreas sociais e de meio-ambiente (que apoiam sem incentivo) do que na cultura amplamente incentivada.

E a questão não é demonizar a lei, porque o problema não está nela, que longe de ser perfeita ainda é o que impulsiona o movimento criativo de nossos artistas, e assim é porque as empresas se penduraram nela, preguiçosamente, especialmente aquelas que se intitulam “cidadãs” quando nada tiram do bolso ou das mãos.

Alterar essa conduta é a intenção maior dos portais que estamos lançando, que se não são, ainda, portais na sua essência, estão programados para sê-los, com cada vez mais conteúdo que possa orientar estudantes que estão entrando no mercado, produtores novos e experientes, OSCs que utilizam manifestações artísticas para espalhar benefícios e angariar patrocínios e, principalmente, aquelas companhias que ainda não entenderam que transparência faz bem à saúde. São lugares projetados para informar e atender. E ter a companhia do prestígio de Luciane Gorgulho, Eduardo Saron, Michel Freller, Ricardo Maia, Dora Andrade e tantos outros não menos importantes que aderiram a este lançamento, só nos leva a crer em bons tempos por vir.

Mas o feito não está terminado; está começado, porque a terceira peça desse projeto, e a mais importante, chama-se Valor Cultural, e seu lema é Um Lugar no Tempo que Vem, pois todos poderão ajudar a construí-lo, usufrui-lo (ver detalhes no Menu dessa homepage) e jamais estará concluído, pois será um depositório diário de informações mantidas por seus “construtores”. E todos poderão ser “construtores” de Valor Cultural.

Quando esse dia chegar, por fim, darei por concluída minha Missão. E então poderei sair de férias, não pra muito longe, diga-se, porque hoje pouco tenho do que o dinheiro pode comprar.

Mas tenho tudo o que ele não pode.

P.S. E qualquer dia desses vou falar mais um pouco sobre a Serra do Luar.